From: Lenimar Nunes de Andrade 
Date: Fri, 19 May 2000 07:06:07 -0300
Reply-To: mundocatolico@egroups.com
Subject: [Mundo Catolico] Sobre a Eucaristia

Em 8/05/00 -0300, Alexandre Nunes 
escreveu:

>
> segue um texto contra o sacramento da Eucaristia, que eu recebi de um
> colega evangélico do trabalho.
> Pretendo responder a este meu amigo, sobre os equívocos das colocações do
> texto. Contudo, preciso da ajuda de vocês.
>

Aparentemente, tudo o que voce precisa esta' em um capitulo de 25 paginas
do excelente livro "Dialogo Ecumenico" de D. Estevao Bettencourt. E´ um
livro que esta´ na 3a. edicao, possui cerca de 300 paginas e pode ser
adquirido facilmente pelo correio (R$ 18,40,  cheque nominal para o 
"Mosteiro de Sao Bento/RJ".  O endereco e':   Edicoes Lumen Christi,
Caixa Postal 2666, Rio de Janeiro, CEP: 20001-970 --- tel: 291-7122 )

O titulo do capitulo e' "Eucaristia: Sacrificio e Sacramento" e segue
transcrito o inicio do mesmo:

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" A Eucaristia é outro ponto que suscita divergências entre os cristãos.
A doutrina católica professa dois aspectos do "mistério da fé":
1) o da real presença de Cristo sob as espécies ou aparências do pão
e do vinho; 2) o da perpetuação do sacrifício da Cruz (a Eucaristia
torna presente sobre os altares, sem o multiplicar, o sacrifício da
Cruz).
  Examinaremos neste capítulo os fundamentos bíblicos e tradicionais
de um e de outro destes aspectos da Eucaristia.

1. A real presença

  A Sagrada Escritura apresenta textos concernentes 1) à promessa,
2) à instituição e 3) à celebração da Sagrada Eucaristia, textos
que dão claro testemunho da real presença do Senhor no sacramento
do altar.
  Percorramos as principais dessas passsagens.

1.1. A promessa da S. Eucaristia

A promessa se acha consignada em Jo 6. O quarto Evangelista, escrevendo
mais de trinta anos após os demais, ou seja, por volta do ano 100,
não quis reiterar a narrativa da instituição da Eucaristia já apresen-
tada por S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. Paulo (1Cor 11); procurou,
antes, desenvolver o profundo significado doutrinário do gesto de 
Jesus, referindo a promessa que o Senhor fizera do Pão da Vida.

Qual seria então o conteúdo de Jo 6?

Reúne três episódios harmoniosamente concatenados a fim de incutir 
uma grande tese ou o mistério da Eucaristia: a multiplicação 
milagrosa dos pães (vv. 1-15) significa o poder de Jesus sobre o 
pão; o caminhar sobre as águas (vv. 16-21) incute o poder do Senhor
sobre o corpo e os elementos da natureza; por fim, o sermão sobre
o Pão da vida (vv. 22-71) utilizando os ensinamentos dos dois
quadros anteriores, anuncia um pão que será o próprio corpo de Cristo.

Nesse sermão, que nos interessa de modo particular, Jesus se propõe
diretamente como o pão que dá a vida verdadeira, imortal. Alguns
exegetas julgam que na primeira parte do discurso (vv. 22-50) o 
Senhor tem em vista o consumo meramente espiritual, que se dá mediante
a fé: quem crê, come ... Tal interpretação é aceitável; não se poderia,
porém, estender à segunda parte do sermão (vv. 51-71), a qual visa
claramente o consumo sensível de um pão que é a verdadeira carne de
Cristo; tenham-se em vista, por exemplo, as expressões muito vivas
e concretas do trecho 6,51-56:

    51 'Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste
        pão, viverá eternamente! O pão que eu darei é a minha carne,
        entregue para a vida do mundo',
    52 Puseram-se, então, os judeus a disputar entre si: 'Como pode
       esse dar-nos a comer (phagein)  a sua carne?' 
    53 Retornou Jesus: 'Em verdade, em verdade vos digo: Se não 
       comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu
       sangue, não tereis vida em vós.
    54 Quem come (ho trogon) a minha carne e bebe meu sangue, tem a
       vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia.
    55 Porque minha carne é verdadeira comida e meu sangue é
       verdadeira bebida.
    56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em
       mim, e eu nele´

  A clareza e a insistência destas palavras exigem sejam entendidas
em seu pleno realismo. Note-se que no v. 52 os judeus perguntavam
como Jesus lhes poderia dar a sua carne a comer (phagein, em
grego); então, visando a esclarecê-los, Cristo, longe de enveredar
por uma explicação alegorista, reafirmou o sentido literal das 
suas palavras, utilizando no v. 54 expressão ainda mais forte, isto 
é, o verbo trogo, que significa "mastigar, dilacerar com os dentes",
sem sentido pejorativo, mas num realismo extremo.

  Quem quisesse interpretar metaforicamente os dizeres do Mestre,
deveria comprovar explicitamente a sua tese -- o que seria dificil
ou impossível, pois o sentido metafórico que as expressões de
Jesus podiam ter em linguagem semita é inadmissível no contexto
de Jo 6: "comer a carne de alguém" significa metaforicamente "ofen-
der essa pessoa, persegui-la até a morte" (cf. Sl 26,1); "beber
o sangue de alguém" equivaleria a "arder de ódio para com tal
pessoa". Ora está claro que Jesus, em Jo 6,54, não podia convidar
os seus ouvintes ao ódio para com o Divino Mestre, prometendo-lhes
em troca a vida eterna.

  Os ouvintes de Cristo entenderam naturalmente as palavras do
Senhor em sentido literal, perguntando conseqüentemente, cheios
de admiração: "Como nos pode dar a comer a sua carne?" (v. 52).
Ora acontecia que, quando os discípulos se enganavam a respeito
das afirmações do Divino Mestre, tomando ao pé da letra expressões
que deviam ser entendidas metaforicamente, o Senhor tratava de
desfazer o equívoco (cf. Jo 3,3-8; 4,32-34; 11,11; Mt 16,6-8);
no caso, porém, de Jo 6, Jesus, visando esclarecer seus ouvintes
surpresos, não somente não atenuou o realismo de suas palavras,
mas, ao contrário, o acentuou: nos vv. 53 e 54 acrescentou, em
sua resposta, a menção de "beber o sangue do Filho do Homem" e
de "mastigar, dilacerar com os dentes a sua carne". O Senhor
manteve a sua posição, muito embora soubesse que, em conseqüên-
cia, vários dos seus ouvintes haveriam de O abandonar (cf. v.
66); Cristo não hesitou mesmo em intimidar os doze apóstolos a
definir a sua atitude com toda a clareza: ou crer no realismo
das palavras anteriormente proferidas pelo Senhor e, conseqüen-
temente, acompanhá-Lo, ou negar fé, consqüentemente, afastar-
se (cf. v. 67).

[...]
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Abraços,

  Lenimar N. Andrade

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